Dia Nacional dos Moinhos na Mealhada Grupo que participou na Rota dos Moinhos junto ao Moinho de Referencia de Sul

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O Dia dos Moinhos comemorou-se no dia 07 de abril, tendo a autarquia da Mealhada como é habitual feito um programa muito rico e variado para o último fim-de-semana. No domingo dia 8, fomos acompanhar a caminhada que organizaram pela Rota dos Moinhos (PR1).

Moinho de Referencia de SulaChegamos às 09h30 ao ponto de encontro junto aos Moinho do Lograssol - Vacariça, onde já nos aguardava um autocarro. Neste local duas padeiras da Escola Profissional da Mealhada, Olga Felícia e Susana Oliveira, preparavam a massa para fazer pão de forma tradicional num forno a lenha. Os aromas a massa a levedar, lenha a crepitar no forno e fumo negro, remeteram para outras eras e levaram as pessoas a encomendar os vários tipos de pão que iram ser cozidos, simples, com chouriço, bacon ou fiambre e queijo.  

Apesar das ameaças da chuva o grupo que participou na caminhada foi composto por cerca de 25 temerárias pessoas que não se deixaram esmorecer e apesar do mau estado do terreno contribuíram para um animado passeio.  O percurso original tem cerca de 13 km, neste dia foi feito só uma pequena parte do mesmo entre a Mata do Buçaco e a aldeia de Várzeas.

Fomos alertados para entrarmos no autocarro que nos levou à Esplanada da Mata, onde começou o percurso. A cicerone de serviço Lídia Dias, do Centro de Interpretação Ambiental da Mealhada, fez uma apresentação do percurso, das contingências que o mau tempo provocou e que iriamos ver na Mata do Buçaco três das seis fontes existentes e durante o percurso dois moinhos de água e de vento. Explicou que foi a abundância de água nesta mata que permitiu a existência de um tão elevado número de moinhos. Nós percebemos tudo muito bem porque "Não somos das Várzeas", inclusive a justificação do nascimento desta expressão, com o devido respeito pelos moradores desta aldeia.

Esta é uma zona onde se respira história e ficamos a conhecer a “Porta da Rainha” e o Moinho de Referencia de Sula. Neste Moinho durante as invasões napoleónicas em 1810, foi montado um posto de comando pelo General Inglês Craufurd. Antes da Batalha do Buçaco as tropas francesas (70 mil) posicionadas ao fundo do monte, não tiveram muitos cuidados e durante a noite acenderam fogueiras, permitindo ao comando das tropas anglo-portuguesas (60 mil) conhecerem as suas posições e pela manhã ajudados pela neblina colocarem-se em locais estratégicos, provocando durante a luta grade mortandade nas hostes francesas, tendo perecido 4000 deles e 1250 dos nosso.

A nível florestal o percurso foi muito afetado por incêndios, ainda existem muitas árvores caídas e espalhadas de forma desordenada pelo terreno. As margens do Rio Salgueiral que passa em Várzeas, outrora cobertas por rica e diversificada vegetação, apresentam-se agora despidas e com aspeto desolador. Disseram no local, que ali junto às ruínas dum moinho, onde o rio faz uma profunda baía, era a piscina dos jovens das redondezas e tinha uma beleza ímpar. Foi-nos dito que a Junta de Freguesia tem o objetivo de recuperar o local, vamos torcer para que isso acontece, demore o tempo que for necessário.

O moinho de Várzeas está em bom estado e podemos vê-lo em funcionamento, passando uma pequena ponte improvisada.

Nem todas as pessoas tem a mesma consciência ambiental, estávamos nós a falar disso com alguém sobre estes assuntos, quando nem de propósito, um fumador do grupo mesmo nas nossas barbas atirou a beata para o rio. Pedimos amavelmente a essa pessoa que respeita a natureza e não o volte a fazer.

Terminamos a caminhada e junto ao Anfiteatro Homero Cristina Serra onde já nos aguardava a camioneta. Esta aldeia tem a particularidade de ficar situada no fundo de um vale e por cima ter uma ponte dos caminhos de ferro da linha da Beira Alta.        

Regressamos aos Moinhos do Lograssol onde podemos saborear o pão ali confecionado e uma surpresa estava reservada. Quem quisesse podia ir ao “Certame das Sopas”, na aldeia de Santa Cristina e aproveitar para ver o seu moinho. Nós é claro não deixamos de aproveitar esta oportunidade.

O repasto teve que ser servido devido ao mau tempo na sede do “Grupo Cénico de Santa Cristina”, e era composto por sopa à lavrador, sopa de grão de bico com presunto, caldo verde e rojões à transmontana, o vinho era da região da Bairrada.  Falamos com o seu presidente José Santos, que disse que este evento vai no seu terceiro ano e serve para abrilhantar estas comemorações. Na cozinha fomos encontrar os cozinheiros de serviço Vítor Silva e Emídio Pereira, ambos na casa dos sessenta anos.

Depois do almoço fomos visitar o moinho desta aldeia, no local Armindo Vieira Lopes, com 84 anos, diz não ser moleiro e ter aprendido o oficio com os pais.  Este moinho foi construído em 1900 pelo seu avô e conta já 118 anos. O moinho estava a moer milho que pode ser usado para fazer broa de milho amarelo, aos visitantes oferecia uma pequena amostra. 

E assim terminou um agradável dia onde muitos com certeza regressam à sua infância.

 

 

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Ondas da Serra

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