A tasca da Maria Macedo António Rodrigues e Maria Macedo

A tasca da Maria Macedo Destaque

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Localizada numa terra recordada pelos rios Douro e Arda, Pedorido já conheceu melhores dias, quando se extraia carvão das minas do Pejão, cuja exploração foi abandonada em 1994. Numa das nossas aventuras de bicicleta entre esta localidade e a sede do concelho situada em Castelo de Paiva, fomos no final da tarde, tomar um verde à “Tasca da Maria Macedo.

A tasca é da Maria Adelaide Macedo, tem 90 anos e está viúva desde 2005, nasceu nesta terra e não tem filhos, mas soubemos que tem um reputado sobrinho. É uma tasca simples, como se fosse uma cápsula do tempo, onde como a dona diz “As garrafas expostas já têm tantos anos como o estabelecimento”. Pelas paredes estão espalhados azulejos com a sabedoria popular;

“Seja branco ou seja tinto
Não importa a cor que tem
Bebido nesta casa
Todo ele me sabe bem”

Há muitas semelhanças entre esta tasca e uma outra que visitamos em Estarreja, as donas têm mais de 90 anos, são viúvas e o negócio já conheceu melhores dias, tendo ambas agora as portas abertas mais por carolice.

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A Maria Adelaide esteve quase dez anos emigrada no Brasil e quando regressou em 1976, foi a primeira a montar ali um negócio, com ajuda do falecido marido, já lá vão mais de 40 anos. No tempo em que a mina laborava tinha muitos fregueses, vendia mercearia, vinhos e petiscos. Quando ela fechou as pessoas emigraram e ela perdeu os seus clientes e hoje "quase só vende bebidas a reformados" (risos) . Só abre o negócio à tarde, inclusive aos fins-de-semana, mas só partir das 13h00, porque pela manhã anda na fisioterapia e à noite vai dormir ao lar.

Antigamente a sua tasca fazia muitos petiscos, “Cozinhava às arrobas de ameijoas, bacalhau frito e moelas”. Naquele tempo andavam por aí muitos vendedores que lhes telefonavam de muitos sítios para ela lhes preparar os comeres, “Eles sabiam que gosto das coisas bem-feitas e temperadas. Mesmo o bucho do porco é preciso saber preparar. A pessoa que cozinha e come o que sobra é porque está bem feito.

Esta senhora à medida que ia desfiando a sua vida ia surpreendendo-nos com o facto de ter sido também Professora e Catequista, mas vamos aos pormenores.

Na educação formou-se em Aveiro e foi Regente Escolar do 1 ciclo. Nas minas do Pegão existia uma escola e quando o anterior regime instituiu uma politica de alfabetização, ela foi ensinar os mineiros, “Ensinei muitos para irem para a policia, eles queriam tirar a 4 classe”. No final foi convidada a dar aulas a crianças de Pedorido, Oliveira do Arda, Raiva e Gondarém, onde permaneceu durante 15 anos, antes de ir para o Brasil. Por vezes aparecem por lá os seus antigos alunos, “Tenho alguns que vem cá e pedem-me para lhes dar um abraço, não sei quem são, eram meninos e agora já são de idade”.

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Há sua paixão pela educação juntou a religião, tendo sido catequista durante 60 anos e só abandonou a atividade há cerca de 10 anos quando o teve que dar mais apoio ao seu marido doente.

A Maria Macedo está debilitada fisicamente, sendo ajudada pelo António Rodrigues, que está aposentado e encontrou ali há cerca de dois anos uma forma de passar o tempo. É também um habitante da terra, tem 76 anos e trabalhou no exterior das minas do Pegão durante 40 anos, até ao seu encerramento. A mina naqueles tempos trabalhava sem parar, com três turnos diários. Nessa altura a tasca abria pelas cinco da madrugada e fechava perto da meia-noite, porque estavam sempre pessoas a passar.

Durante a nossa visita entraram e saíram alguns clientes, entre eles encontrava-se o José Alcino, com 76 anos e residente em Oliveira do Arda, que fica a poucos quilómetros de Pedorido. Depois de enviúva voltou a casar, tem três filhos, aproveitando para ir à tasca “beber uma cervejita e ver os amigos”.

O José trabalhou como soldador dezanove anos no Porto e em 1975 foi trabalhar para as oficinas das minas, onde laborou igual número de anos. Foi aqui que conheceu o seu amigo António Rodrigues. O fecho das minas também afetou Oliveira do Arda, Raiva, São Pedro do Paraíso e toda a zona do Couto Mineiro. As minas produziam carvão para a industria e uso domestico. Depois disse com pena o pessoal abalou.

Não saímos da tasca sem comprar por indicação do António Rodrigues um bom vinho verde da região, da última safra “Montes de Paiva”, que por sinal “escorrega bem”.

 

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Ondas da Serra

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