Dezembro será o mês de apresentação do terceiro e último single antes da divulgação de um álbum mais cru e com a energia que os concertos dos Prana transmitem. Ainda por nomear, este novo trabalho é o primeiro feito a três.
Miguel Lestre, vocalista e baixista, Diogo Leite, baterista, e João Ferreira, guitarras e teclados, são os elementos do grupo sanjoanense e responsáveis por todo o processo criativo nos loucos Verão e Inverno de 2016.
Mudança no ambiente musical
“O retiro [com loucas jam sessions noite fora] foi uma forma de nos reencontramos musicalmente. Tocamos juntos há 11 anos mas quando a banda passa por uma mutação de som é preciso tempo e foi mais importante para isso, para nos encontrarmos novamente”, explica Miguel Lestre, letrista dos Prana.
O som da banda mudou desde 2014, ano de lançamento do segundo disco “O Amor e Outros Azares”. A paixão pela música, o rock, as letras em português e a maneira como tocam não mudaram. O que se alterou foi a sonoridade, o ambiente musical do grupo.
Miguel garante que “cantar em português faz parte da personalidade da banda” e por isso será “muito difícil um dia Prana cantar em inglês”, embora a tentação exista.
Intervenção emocional e política
Mais do que escrever letras com mensagens específicas, o vocalista dos Prana prefere dar espaço para a interpretação. “Mulher ou Comandante” fala de uma luta interna, quando percebes que te arrastas, que te tornas lento”, descreve. Só no videoclipe, divulgado este mês, a história aborda questões como o bullying, os maus-tratos e o suicídio.
“A história foi desenvolvida pela banda e pelo Ricardo Leite [realizador de ‘A Instalação do Medo’, baseado na obra homónima de Rui Zink] e fala emoções e histórias de vida”. O também baixista considera-se “vítima e influência” do que o rodeia, escrevendo sobre temas que fazem parte do dia-a-dia de todos. A colaboração com Ricardo Leite vai continuar, agora para o terceiro videoclipe.
“Mulher ou Comandante” foi filmado nas cidades de Espinho, São João da Madeira e Porto, e contou com a colaboração de João Melo, ator reconhecido no circuito nacional de teatro, mas também com atores jovens, como Ana Príncipe. “A banda dá imenso valor aos videoclipes e neste álbum temos vindo a fazer mais. Não apreciamos obras audiovisuais em surgimos em grande destaque. Gostamos do conceito de história, com uma musicalidade própria e o Ricardo Leite faz isso muito bem”.
"Não Te Dás a Ninguém" foi o single de estreia num regresso mergulhado no rock e no pop alternativo. A inexistência de qualquer colaboração na produção do álbum e a espécie de retiro em Arouca resultam numa sonoridade genuína e líricas mais íntimas. O consumismo é o tema do terceiro tema e, ironicamente, será lançado em Dezembro.
Em 2008, o grupo lançava o primeiro EP “1”, seguido pelo primeiro álbum, em 2011, “Trapo Trapézio”. Três anos depois, em 2014, surgia o segundo trabalho, “O Amor e Outros Azares”. Agora, em 2017, surgem três singles de apresentação de um disco que já está pronto, embora ainda não tenha nome, e que será divulgado entre Janeiro e Fevereiro de 2018.
O gosto da banda pela música das palavras revela-se ao público de três em três anos, com a criatividade, a harmonia e a força das letras sempre presentes, com o concerto no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, no dia 25 de Novembro, a prometer mais uma noite animada e com muito rock.
“Adoro o processo de composição, as jam sessions loucas madrugada fora. A gravação de som é altamente, em que estamos dias a respirar o projeto. Depois disto tudo, tocar ao vivo. Na primeira fase, é ver como é que o pessoal reage. Algum tempo depois, quando já o público conhece as músicas e reage, é brutal”, confessa o dono das letras que desde 2008 têm misturado rock dançante com pop melódico.
A manter-se o ritual de apresentar novos trabalhos de originais de três em três anos, 2017 e 2018 são ideias para descobrir a libertação musical dos Prana, sem pensar no que virá em 2020.