Os Delta Blues Riders reinterpretam as sonoridades do Delta Blues, um dos primeiros estilos de blues, em cada uma das versões que fazem de clássicos eternizados por artistas como B.B. King, Slam Allen, Chris Bell, Connie Lush, Zakiya Hooker e Mable John.
Paulo Veloso, Jorge Loura, Ricardo Melo e Miguel Pardal bombeiam a plateia com a experiência de quem viveu amores, perdeu-se em paixões, desgraçou-se no jogo, e continua com muito para partilhar. “Os blues falam sobre tudo: impostos, trabalho, relações, amor, dinheiro e outros problemas que as pessoas têm e com os quais se identificam. Essencialmente o blues fala sobre a vida.”, explica Paulo Veloso ao Ondas da Serra.
É uma viagem intensa e sem mapa pelo universo do blues, como quem se encosta ao balcão a desabafar com o barman. A rendição move-se entre o gospel ao som do órgão Hammond, nos blues de uma harmónica perdida no deserto, na simplicidade de uma guitarra slide. Amanhã, a partir das 22horas, ouvir-se-ão os latidos dos coiotes errantes no espaço Foyer do cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira.
Originários da cidade do Porto, a aventura dos Delta Blues Riders começou em 2014. Os quatro músicos têm reinventado as sonoridades que originaram os blues (Mississippi) até aos nossos dias e Paulo Veloso promete um álbum ainda para 2018. Também para este ano está previsto o acompanhamento dos dois concertos em Portugal da cantora norte-americana Pat "Mother Blues" Cohen.
O café-concerto será marcado por uma forte interação com o público, convidado a entrar nos diálogos entre a guitarra, o piano, a harmónica e o resonator, Paulo é a voz da banda mas também o narrador responsável por apresentar as músicas ao público. “O concerto é muito dinâmico. Nunca para”, reitera.
“Save your mind” será um dos singles do novo álbum mas que ainda não faz parte dos concertos dos Delta Blues Riders. “É frequente perdermos demasiado tempo com o que não tem interesse e descuramos a família e os amigos. Este tema é sobre isso.”. Paul acrescenta que a banda está “a trabalhar noutros temas, desde a viagem da vida, em que muitas vezes nos preocupamos com as metas e esquecemos de viver o caminho”.
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“As músicas que tocamos num concerto são muitas vezes definidas ao longo do próprio concerto, dependendo do público e do ambiente que se cria.” A vontade envolver o público em cada palavra leva a que Paulo revele a vontade de num futuro próximo escrever e cantar temas de blues em português. Por agora, o chapéu de cowboy está a postos, o palco aguarda e os diálogos começam. A viagem começou.
Paulo Veloso – Voz, piano, guitarra, dobro e harmónica.
Jorge Loura – Guitarra.
Ricardo Melo– Baixo.
Miguel Pardal – Bateria.