Espargo: freguesia agregada, freguesia extinta? Espargo
sexta, 09 março 2018 10:14

Espargo: freguesia agregada, freguesia extinta?

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1.165 freguesias foram extintas do mapa autárquico português na transição de 2012 para 2013. Espargo foi uma das freguesias agregadas. Seis anos depois, é o último nome da nova realidade territorial de uma união de freguesias a quatro em pleno coração do concelho de Santa Maria da Feira.  Mas freguesia agregada será freguesia extinta?

A reforma administrativa de Santa Maria da Feira foi aprovada a 12 de Outubro de 2012. A Assembleia Municipal determinou cinco agregações e o concelhoEspargo passava de 31 freguesias para 21. A reorganização administrativa de Portugal acontecia no ano seguinte, em 2013, e traduziu-se na redução de 1.165 freguesias, das 4.259 existentes. O Governo de Pedro Passos Coelho foi o responsável por uma modificação feita a pinças no mapa autárquico português.

A Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio, aprovou o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica. Os seus princípios, critérios e parâmetros orientaram a Lei n.º 11-A/2013, de 28 de Janeiro, que procede à reorganização administrativa do território das freguesias, através da criação de freguesias por agregação ou por alteração dos limites territoriais.

A agregação de Espargo a Santa Maria da Feira, Travanca e Sanfins provocou ou não a sua extinção? A pequena localidade do distrito de Aveiro faz fronteira com Rio Meão, São João de Ver, Santa Maria da Feira, Travanca, Arada e Maceda (estas duas últimas pertencentes ao concelho de Ovar) e em 2018 revela uma dinâmica interessante.

Leia também: Grupo Cultural e Recreativo “Andorinhas de Espargo”

O povoamento de Espargo data de 1053, com um documento a atestar a doação de uma herdade entre o rio de Paramos – conhecido por rio da Pena -, o rio Cáster e o rio D’Além. A doação teve como mecenas a senhora Godo e lançou as fundações de uma nova terra portuguesa.

Hoje, os 5,7 quilómetros quadrados acolhem infraestruturas de referência no concelho, nomeadamente: o Europarque - centro cultural, paisagístico e de congressos; o parque empresarial Lusopark; a zona industrial do Roligo; e o Lenitudes – centro médico e de investigação.

Estes equipamentos têm vindo a diferenciar-se nos segmentos em que atuam e são geradores de emprego, negócios e visibilidade nacional e internacional. Porém, são frequentemente referidas como estando localizados em Santa Maria da Feira e Espargo é esquecido, extinto dos registos.

Sem que muitos saibam, Espargo tem alargado a sua influência no desenvolvimento económico do concelho, com os parques industriais e o Europarque a assumir particular importância. A escola primária, o sino da Igreja e a sede do Grupo Cultural e Recreativo “Andorinhas de Espargo” deixam antever que a freguesia continua com vida.

O desenvolvimento tem sido lento mas progressivo, feito com dedicação, trabalho e paciência. Freguesia agregada parece não significar freguesia extinta. O espírito aguerrido de quem lá vive há mais de 40 anos permanece inalterado. As vozes do Sr. Celestino ou do Sr. Domingos deixam-no claro.

 

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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